quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Amanhecer em cinzento

Em frente ao espelho, não me encontrei...
Perdendo até a noção do tempo, procurei,
Mas o reflexo surge quase transparente...
Sinto-me cansado, vazio e inconsequente.

O peso da responsabilidade transforma-me inibido,
E o poder de decisão revela-se rural e retraído;
Envenenado pelo atrito ao qual as verdades tropeçam;
Deslizando pelo desinteresse que as incertezas abraçam...

Desmedida necessidade do domínio total,
Veste-me de ansiedade com dimensão proporcional;
Mas o desconforto faz-me tremer desconcentrado...
Sinto-me inerte e vulnerável, mas inconformado.

Não estou sequer distante do destino objectivado;
Ramificações de um quotidiano inesperado,
Desafiam-me despertando dúvidas longínquas e dissolvidas,
Solidificando remotas alternativas, outrora esquecidas...

Rendido ao sonho, abstraio-me até da viagem;
Curiosamente, guardo, sem ver, e para mim, a grafia da paisagem;
Envolvendo-me optimista, com um aroma a triunfo sensorial...
Acordado, sentir-me-ia apenas frágil, exausto e superficial.