sexta-feira, 28 de maio de 2010

O abraço da invulgaridade

Reviro páginas vagas ou vazias,
De conteúdo nulo ou sombrio;
Sinto falta do calor ou frio,
Desejoso de confrontos ou harmonias...

Não basta sentir ou escrever sozinho;
A criatividade vai longe e silenciosa,
E o verso nem susurra baixinho;
Sinto falta da minha musa gananciosa...

Por ela anseio cru e são;
Mas no meu esconderijo deixo-me invadir...
Bebo diversas garrafas que, por abrir,
Apenas me afastam da espontânea inspiração!

Percebi que esta me habita na tristeza,
E a dúvida que levanta é cruel,
Ou me satisfaço de prazeres ou ligeireza;
Ou vivo agora ou para sempre no papel...

Recuso submeter-me ao ínfimo banal!
Exijo existir com intensidade voraz!
Ou sou a sombra ou o sol que vos apraz,
E algures, o poema tornar-me-á imortal...