segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Longe

Hipócrita subjectividade da distância,
Sincera confidente da circunstância;
Infinita na sedenta saudade,
Como sêca e de faminta arrogância;
Vaidosa na raiva e sua singularidade;
E no salto alto, passeia e pisa a prosperidade...

Tão instável como o Presente,
Falso Profeta, e  consciente;
Incansável promissor do expectante;
Fraudulento, mas ainda, persistente;
Aleatório a cada instante,
Só o Passado e o Futuro nos garante...

Pena ser curto o espaço,
Pena o Tempo ser escasso,
Cruéis na simples despedida;
Inocentes no íntimo abraço;
Inevitáveis cúmplices da vida;
Irónicos fiéis do perdão e da ferida...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Cúmplice silêncio

"Está tudo bem contigo?" Eu perguntei não só curioso mas algo inquieto...

A resposta foi rápida, fácil, mas pouco convincente; um áspero "está tudo bem", carregado dos mais comuns e inequívocos sintomas de distúrbios emocionais, foi a magoada resposta...
Não era apenas mais uma cara conhecida, se o fosse, estaria eu despreocupado e esclarecido; não estando, vou servindo dois shots de Drambuie enquanto acrescento: "Um dia não são dias, e melhores deles virão..."
Naquela confidente troca de olhares, incendiámos os problemas juntamente com o licor e rendidos rumámos  ao sabor do equilíbrio que o cúmplice silêncio nos proporciona.

Hoje a pergunta surgiu no sentido inverso e a minha resposta não consegue ser mais convicta ou menos tremida que a tal de outrora... "Está tudo bem"...
Hoje, a garrafa parece pequena enquanto os copos permanecem ainda vazios; o silêncio, esse, agora profundo e ensurdecedor...
Hoje, os compreensivos olhares evitam cruzar-se; pesa-me, mais que nunca, respirar na fria sala saturada de fumo...
Hoje, a noite pareceu ter sido mais curta e lá fora, vai depressa amanhecendo; a sala já não está fria e o Sol brilha, com alguma timidez, mas brilha...
Um dia não são dias, e neste que agora começou, já não custa respirar; melhores deles virão...