domingo, 25 de setembro de 2011

Ode à surpresa

Longa foste, inesperada madrugada...
Contornando pretensos planos imaculados,
Persuadiste a inocência que se rendera desarmada,
Rumando, com ligeireza, no sentido dos pecados.

Bruta, e sem avisos, atropelaste o previsível...
Desprezando o áspero mas habitual quarto frio,
Abraçaste o romantismo carnal e apetecível,
Derramando memórias, mas de sentimentos, vazio.

Flutuaste alto, na ausência de elogios inadequados...
Divagando pelos saborosos ventos de um furacão,
Contagiaste escassos e subtis abraços, mas apertados,
Revelando fascinante, a coincidência de cada refrão.

Sentiste a ingénua leveza da extravagância...
Menosprezando vulgares feridas da cruel incerteza,
Dançaste descalça pelas armadilhas da circunstância,
Absorvendo os carinhosos acordes da devoradora surpresa.