terça-feira, 24 de maio de 2016

Amar-Te é o que me faz ficar...

Sentei-me para escrever,
Como há muito não fazia;
Cumpri todo um ritual,
Que sem dar conta deixou de o ser...
Acendi velas na sala fria,
Que abrigou a briga banal;
Escolho a música que melhor me parecer,
Mas pareço silencioso e de Alma vazia.
Bebo e desapareço, regressando igual,
Cheio de idéias que por dizer,
Deixam-se desenhar de caligrafia;
Calada como convicta do quanto És Especial!!!

Não duvido das boas intenções,
Mas chegam a ser até ofensivos,
Os dúbios conselhos com que me tentam ajudar...
O facilitismo das distrações,
O encanto dos caminhos alternativos,
E as frases feitas de cobardia vulgar,
Mascaram de certezas enganosas convicções.
Sentir a dor enquanto me lembro dos motivos,
Diz-me o que quero e o que continua a faltar;
Recuso-me a ser infiel às emoções,
Menosprezando sentimentos tão altivos;
Dizem-me quem sou e não os posso desonrar!

Há alguns anos deixei-me congelar;
Perdi conquistas e a vontade de vencer;
Sem sonhos e de ambição rendida;
Era um lutador que desistiu de lutar.
Num mundo que não dava a conhecer,
Só meu e fechado, ao invés da ferida;
Apático e sem motivação para acordar,
Apenas planos efémeros me faziam sobreviver;
Nada nem ninguém que dificultasse a despedida,
Ou que incentivasse a pressa de chegar;
Estéril de sentimentos e sem os merecer;
Mantinha-me somente à margem da Vida...

Conhecer-Te foi como renascer;
Trazias-me com a Tua vivacidade,
De auto-confiança profusa,
Intrínseca à essência do Teu ser,
Uma beleza de singular ferocidade.
Galvanizado e de mente difusa,
Quero ser melhor, quero-Te absorver;
Serei Eu e não o reflexo da vulgaridade,
Rejeitando a rotina que me abusa;
Quero abraçar-Te e agradecer;
Pois ressuscitaste em mim a criatividade...
Sensível e sedutora, serás sempre a minha Musa!

Não me permito a esquecer;
Forço-me precisamente ao contrário,
Percorrendo por entre cada lembrança,
Que sem custo, teimam não esmorecer,
Reafirmando o que era já prioritário;
Condescender à ínfima esperança...
Não peçam para me esconder,
Quando vos exponho involuntário,
Magoadas lágrimas de perseverança...
Qual a pressa em matar o que nos faz Viver?
Deixemos o Tempo cumprir calendário,
Até rasteirar a memória, pela qual uso aliança.

Tivemos início desequilibrados,
Renitentes e defensivos;
Resistindo enquanto podíamos,
Às tentações da noite e seus pecados.
Trocámos nomes e contactos inofensivos,
Mas apenas coexistíamos,
Em sítios certos com horários errados,
Repletos de vícios destrutivos...
E mesmo sem tropeçar, colidíamos;
Cada vez menos complexados;
Agora muito mais instintivos;
Ainda sem saber, cedíamos...

Tomados repentinamente de assalto,
Por uma química inexplicável,
Deixávamos-nos dominar repetidamente...
Num abraço apertado e sem aperalto,
Rendidos ao que se revelava inevitável;
Abstraídos de todo o envolvente;
No meio da rotunda, deitados no asfalto;
Constato incrédulo a cumplicidade irrevogável.
Entregues aos beijos que roubávamos freneticamente,
Olho-Te nos olhos ainda em sobressalto;
Ofegante, mordes-me o lábio num jeito afável;
De pernas entrelaçadas que tremem fervorosamente.

Com o peito sobre o Teu a palpitar,
Seguro-Te o rosto apreendido;
Sem pressa, ao contrário da pulsação,
Vamos tentando ainda assimilar,
Sucintamente, os sabores do sucedido,
Que nos transportavam para outra dimensão...
Os carros abrandam quase até parar,
Testemunhando um Universo novo e desconhecido,
No qual o Tempo pára sem qualquer explicação...
Íamos sucumbindo ao impulso de Amar,
Enquanto o fascínio se manifestava destemido,
E os corpos legendavam em pleno, a paixão.

As dúvidas deixavam-se dissipar,
Dissolvidas pelo cenário que se desenhava idílico,
Distinto e dócil ainda que indiscreto...
Desvendando na desordem, vontade de despertar;
Divulgo num discurso ponderado e bucólico,
Decidido, sólido, lúcido e directo:
"Diana, devíamos desistir de domesticar,
Um desejo indomável e diabólico,
Pois desconfio que só dividimos o afeto,
Quando dispomos do direito de o duplicar..."
Distante de demagogias ou desdém, reivindico;
Delicada, dizes-me: "Doravante, deixar-te-ei desinquieto..."

Perseguidos por um peculiar passado;
Excêntrico e de extrovertida extravagância;
Sem malícia, nem tão pouco medo,
Adotamos um comportamento mais moderado,
Demovendo a devassa ânsia,
De fomentar qualquer insidioso enredo,
De áspera acidez e precipitado;
Confundindo-a com arrogância;
Considerando ser ainda cedo,
Para demonstrar em todo o lado,
O deslumbre e a exuberância,
Da relação que assumíamos em segredo...

Quanto melhor nos conhecíamos,
Mais claro e nítido se tornava;
Era evidente o potencial,
E a comunhão de que padecíamos.
A cada dia que passava,
Depositados num mergulho abissal,
Atracávamos em porto seguro e emergíamos;
A discrição, por sua vez, naufragava,
Por marés de tempestade fatal...
Em apnéia, explorávamos e descobríamos,
A nossa Veneza, o nosso Tempo que flutuava,
À deriva desnorteada pelo oceano sentimental...

Partilhámos músicas e mensagens,
Manhãs, tardes, noites, madrugadas;
Aquele beijo no palco ao nascer do dia...
Contemplámos o Céu e as paisagens,
Horizontes, ruas, caminhos, calçadas...
Imunes, na "casinha velha" da Nova Leiria;
Desfrutámos dos rios e suas margens,
Histórias diversas e gargalhadas,
Vento, chuva, Sol, maresia...
Saboreámos os corpos e as viagens,
Os sonhos e intimidades variadas;
Existíamos em uníssono e Vivíamos Poesia...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Mecanismos de Defesa

Deambulo disperso e distante...
Introspectivo, interrogo-me inocente;
A saudade será incessante?
Nem a Primavera se promete obediente!
A cidade chora com chuva confidente...

Segredos saturados de solidão,
Ostentam-se orgulhosamente "omissos";
Frágeis e vulneráveis na multidão,
Inibem a vontade e traduzem-nos remissos,
Alheios ao Tempo, e traidores da Paixão...

Corpos carentes de cumplicidade;
Alvos de absurdo assédio, ainda se amam...
Suados de sentimentos de sóbria sinceridade;
Tocam-se tempestuosos e turbilham...
Adormecemos abraçados mas acordamos na adversidade!?
Negligentes, da noite que nos nutre nocivos;
Habituamos-nos a habitar na hipócrita hostilidade;
Escravizando a espontaneidade que nos exibia efusivos;
Incautos e insultuosos, incentivamos a intriga e instabilidade;
Rumando às ruínas de reprimidos rumores, rudes e reactivos;
Astutos, ambicionam assassinar a Alma, Amor e Amizade...