quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Porque não digo o que sou?

Afirmam invulgar o modo como, relaxado, enfrento a vida?
Admito-me envergonhado e carente de disciplina...
De pontual, apenas tenho a obrigatoriedade da rotina,
Essa, que agora, é desrespeitadora e erradamente repetida...
Tranquilos atrasos traduzem-me tremendo traidor;
Intrínseca e intermitente ingénua inocência;
Destrutivo e demente desinteresse derivado da dor;
Camuflada culpa que, calma, incapacita a clemência...

Proclamam estranha a minha serena exposição ao conflito?
Confesso-me desencorajado e indigente perante o desequilíbrio...
De ameaçador, tenho somente o discurso de inofensivo ludíbrio,
Esse, que agora, é cobarde e silencia o inconformado grito.
Manifestam-se numa magnitude madura e moderante,
Vulneráveis virtudes vacilando vaidosamente vãos vícios;
Ferozes e efémeros, fingindo-me fútil figurante;
Sincero servo submetido aos sisudos sacrifícios...

Denunciam preocupante a minha usual oscilação de humor?
Reconheço-me esmorecido e necessitado de maior coerência...
De previsível, possuo omissa credibilidade e imaculada consciência,
Essa, que agora, é dúbia e tenebrosa cúmplice do rumor.
Fricciono forçosamente fictícia ferida que me desfruta;
Denso e deambulatório delírio de domínio desigual;
Áspera armadilha amarga aprisiona-me astuta;
Excêntrica e exuberante extravagância existencial...

Presumem alarmista o meu temperamento impulsivo?
Permito-me até penoso na desconfortável tolerância...
De impetuoso, guardo sem esconder, cicatrizes da circunstância,
Outras que outrora, incrustadas, desvendaram-me implosivo.
Suspiro sistémica e insistentemente saciando a serenidade;
Menosprezo múltiplas mutilações massivas sem manifesto;
Ridículo ritual de raiva e sua rude reciprocidade;
Poluída precipitação que prostitui a pureza do protesto...

Julgam-me demagogo ou misterioso erudito?
Sou uma moldura cuja tela permanece branca e vazia...
De relaxado, sereno, oscilante e impulsivo, tenho a poesia,
Essa que, desde sempre, banal, seduziu-me súbdito.
Flácida revolta que me abandona à mercê da sorte;
Robustos avisos que me despertam, denunciando o sucesso;
Têm razão, sou um irresponsável promotor da morte;
Apaixonei-me pelos amargos dissabores do saboroso excesso...

domingo, 25 de setembro de 2011

Ode à surpresa

Longa foste, inesperada madrugada...
Contornando pretensos planos imaculados,
Persuadiste a inocência que se rendera desarmada,
Rumando, com ligeireza, no sentido dos pecados.

Bruta, e sem avisos, atropelaste o previsível...
Desprezando o áspero mas habitual quarto frio,
Abraçaste o romantismo carnal e apetecível,
Derramando memórias, mas de sentimentos, vazio.

Flutuaste alto, na ausência de elogios inadequados...
Divagando pelos saborosos ventos de um furacão,
Contagiaste escassos e subtis abraços, mas apertados,
Revelando fascinante, a coincidência de cada refrão.

Sentiste a ingénua leveza da extravagância...
Menosprezando vulgares feridas da cruel incerteza,
Dançaste descalça pelas armadilhas da circunstância,
Absorvendo os carinhosos acordes da devoradora surpresa.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O teu retrato

O tempo parou num Presente distante;
A distância perdeu sua tortuosa dimensão;
E eu gosto do conforto que a memória me traz...
Permite-me perpetuar cada saudoso instante;
Liberta-me do Passado, condenado à extinção;
E eu gosto de me sentir, perante o teu rosto, incapaz...

Faz-me esquecer a estrofe, a rima ou o verso;
Faz-me abstrair da sequência ou aleatoriedade;
Faz-me divagar algures pelo expectável e o controverso;
Faz-me recordar, a cada dia, a importância da tua felicidade