terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ciclo vicioso

Silêncio rebelde e gritante,
Dá-se timidamente a conhecer,
De modo desconcentrado.
Insistente inércia intimidante,
Transforma o meu melhor dizer,
Num imperceptível dicionário pulverizado,
Dissipa-se desta feita a mensagem,
Perde-se seu teor e ferocidade,
Confunde-se na subjectividade,
E o meu dia, nasce vazio de coragem...

Sinto-me já quase desistente,
Não me surgem sequer dúvidas,
Balanceio princípios de modo deturpado,
Durante duradouro instante persistente,
Remando sobre convicções dissolvidas;
Permanecendo perante evidências, âncorado.
Neste meu cais, as emoções deixam-se marinar,
Envolvidas por gélidas lágrimas derramadas,
Que, pelas elevadas expectativas, coexistem saturadas;
Num sombrio porto de abrigo, que tende a secar.

Fui enganado pelo instinto...
Depositei confiança de olhos fechados;
Sem hesitações, ofereci-me sincero;
Tardei a sentir a queda neste labirinto...
Deparo-me de punhos atados,
Diante dos meus medos, e sem forças, espero;
Com o corpo flácido, quase entregue à rendição;
Não, por uma mão amiga estendida,
Mas que os músculos reajam à vontade destemida,
De rasgar entre polos, tamanha submissão.

Infelizmente, gosto de acreditar,
Que algures, bem dentro de alguém,
Existe um espaço, que me é destinado.
Será presunção da minha parte, ou tal crença é vulgar?
Interrogo-me vezes sem conta, porém;
Julgo-me conhecedor de tal lugar, embora indignado...
Na incerteza, consciencializo-me das nativas divergências;
Consigo sentir no peito, o suor da escaldante hospitalidade,
Bem como a fria neblina, que se ajusta aos meus contornos de humildade...
Contudo, viajo até esse meu esconderijo de intimidades, invejando suas valências.

Vou-me deixando ansiosamente envolver,
Num apertado nó de inconsequentes introspecções,
Visando o meu plano de vida mais secreto;
Concluí novamente agora, que não quero aqui adormecer...
Dedico em prática, ainda apático, num sentido prático, sem preocupações;
Numa nova filosofia relaxada, a total generosidade do meu afecto...
Esperançosamente, quase vislumbro a ausência dos esforços,
Que evitaram esta minha entrega, ao sedentarismo emocional.
Desejo então, que o plano da vida para mim, tenha o seu seguimento natural;
E assim sendo, o meu dia de amanhã, nascerá vazio de remorsos...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O meu silêncio

Para quando reservo eu, a coragem de falar?
Nem uma palavra, já sei sussurrar...
É pavorosamente revoltante,
Constatar habitual constante,
Que se evidencía desde o meu começo;
Comprometendo-me de forma desconcertante,
Revelando-se o meu medo mais sonante,
Clarificando-se à medida que me conheço.

Até onde, o meu silêncio irá fluir?
Eu bem quero gritar alto para que possas ouvir...
Herdei não só, este receio fóbico,
Mas também um novo mapa do percurso hierárquico;
Culminando este, no respeito mútuo;
Pelo qual me regi, singularmente, de modo antagónico,
Traíndo o que vigorava ser lógico,
Vitimando o diálogo de aprisionamento perpétuo.

Porque é que privei o mundo do meu final veredicto?
Nem o meu humilde desejo, é imune ao conflito...
Queria, sem dúvida, infinitamente prolongar,
O tempo que me fora concebido para te abraçar;
Porém, por defeito, no sequestro emocional fui orgulhoso,
E o nosso sofrimento, insuficiente para pagar,
O pesado resgate, capaz de evitar,
Que o meu carinho, por ti, guardasse saudoso.

Se pelo menos, amo-te, eu conseguisse soletrar...
Não me satisfaz, unicamente pensar!
Exijo vencer toda esta hesitação,
Conduzir os meus pensamentos à sua tradução,
Condensando-os em cada permissa minha,
Intensificando a efémera intenção,
De que jamais, darei eu permissão,
Que te julgues algum dia sozinha.

Quanto tempo mais, sobreviverei inerte, neste preconceito?
Já não me faz sentido, o complemento, o verbo ou o sujeito...
Estou cansado de ideias congestionadas,
Que na nascente, desaguam intimidadas;
Restando-me portanto, a esperança de escrever,
Batalhando densas frustrações arrojadas,
Contrariando as disléxicas frases descoordenadas...
Até quando ficará isto por dizer?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Convosco, preciso de outros limites

Estranho é, que em tão tenra idade,
Nos sintamos capazes de voar,
Vincar o mundo para toda a eternidade,
Desprezando a jurássica dificuldade,
Que persiste ser; perdoar.

Será, de algum modo, bárbaro pensar,
Que a vida vencer-se-á facilmente?
Não caírei no erro de me entregar
Aos ponteiros do relógio, que sem parar,
Ainda conseguem que exista Presente.

É neste que deposito inteira concentração,
Capaz de colorir o cinzento mapa cronológico.
Se esquecê-lo, pareceu em tempos solução;
Deve-se definitivamente à convicção,
Que fora criada em desespero cósmico.

Hoje, vou-me então desenhar,
Com as forças exigidas pela luta;
E tão intensamente irei acreditar,
Que no momento de acordar,
Serei prendado com uma paz absoluta.

Afinal, o perdão, é necessáriamente instintivo;
Foi-nos facultado com todo o propósito,
Não pode ser imperativo...
Cumpriremos assim o objectivo,
Perdoando no cenário mais insólito.

Estranho é, que aquando inexperientes;
Já saibamos que, os amigos são;
Para além de omnipresentes,
Também nos momentos cadentes;
A vida a testemunhar sua preocupação.

Considero-me agora um afortunado,
Consciente de todos os perigos,
Aos quais me esquivo em tom moderado.
Sim, o mundo será vincado.
Quero voar convosco, meus amigos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O meu mundo é mais vasto...

Sei agora, que o mundo ainda existe,
Para além do meu campo de visão...
Sou vítima de uma imaginação que insiste
Explorar com afinco nova solução,
Em redor de um problema que persiste,
Ser descontrolado, até que então...

Uma necessidade extrema de evasão,
Apodera-se deliberadamente de toda a vontade,
Que me fingia capaz de dar sucessão,
A projectos desenhados na prosperidade,
Transportados hoje para a terceira dimensão;
Paralizando em absoluto a tal ansiedade...

Um novo horizonte é traçado,
Precisamente onde a tua sombra termina;
Confesso-me deveras tentado
A cruzar toda esta neblina,
E de um modo inconformado,
Combater a evidente separação repentina.

Distorcidos desejos emergem em abundância;
Revelam-se imaturos, pela pobre nitidez,
Contudo, perdoável é, derivada a circunstância.
Então... Esperançosamente prenuncio "talvez",
Os nossos destinos viagem em concordância,
Numa duradoura próxima vez...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Proveitosa certeza do sonho

Subitamente voltei a acreditar,
Não é apenas mais um dia;
Simplesmente desconheço a agonia,
Que fora em tempos, sonhar.

A curva do mundo faz nascer nova surpresa,
Acordo hoje mais desejoso,
Carente do vulgar quotidiano, mas ambicioso;
Adivinho alicerces sólidos na incerteza.

Perdi o sono, o cansaço e a fadiga,
A noção de realidade temporal,
A sede de uma repentina realização pessoal;
Venci a repulsa, o preconceito e a intriga.

Voltei a ser eu e os outros em simultâneo;
Quero ser inspirador, lembrado, influente,
Quero tornar-me mais, melhor, omnipresente;
Irei prioritariamente vaguear pelo espontâneo.

Tenciono ser resposta à equação,
Legendar incógnitas existentes,
Pretendo criar fórmulas resolventes,
Para cada nova situação.

Assim. de punho bem firme, eu digo;
Sei que sou capaz...
Serei portador de uma força voraz,
Basta acreditar, eu consigo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Devo ou não sonhar?

COMEÇO finalmente a acreditar
Que é um erro sonhar,
Munido de uma infindável espontaneidade,
Capaz de fundir o desejo e a realidade.

CONTINUO a criar falsas expectativas,
A improvisar energias positivas
Que me conduzem à desilusão;
Ainda assim, consciente, sofro a ficção.

PERMANEÇO desprovido da razão,
Apodreço agarrado à nova sensação.
Vou esculpindo uma realidade Virtual,
Sob aconselhamento circunstancial.

ACABO num silêncio penoso,
Convicto deste pobre ciclo vicioso,
interiorizando o recente dissabor,
Sofrendo por ser sonhador.

TERMINO então apavorado;
Vítima de um desconhecido premeditado;
Quase incapaz de imaginar,
Que só existe uma solução... Sonhar!!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Interrógo-me

Eu sei que as dúvidas existem;
Invadem-me assombrosamente.
É uma ansiedade permanente,
Até que as certezas se manifestem.

Não será mais que ilusão,
Saciar dúvidas desta natureza?
Súbita e assustadora certeza,
Ou simplesmente banal convicção?

Como é revoltante o desconhecido,
O imprevisto acaso sem justificação,
O inexplicável, a interrogação,
E o poder do sexto sentido.

Decifro igualdade na frente e no verso,
Em pontos diametralmente opostos.
Desvendo diferenças em gémeos rostos,
Num hipotético paralelo Universo.

Deturpadas ideias vagueiam lúcidas;
Vítimas de um questionário infinito,
Objectivando o incógnito,
Minimizando eternas dúvidas...