sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Horizonte escondido

Quando o Céu e a Terra se tocam, com a mesma cor;
Quando o comum empírico se esconde de vergonha;
Quando o inequívoco conceito de moral se torna estranhamente subjectivo e parcial;
Quando o cauteloso e inexperiente raciocínio se deixa vencer pelo ofensivo e imprevisível quotidiano;
Quando o "justo" é banal adjectivo que nos afunila o destino;
Quando a "sala de estar" se enche de desconhecidos "convidados";
Quando os convidados pagam o que "ofereço";
Quando o calendário já não simboliza sequer aniversários;
Quando a harmonia do amor platónico é necessária e repetidamente pontual e explosiva , atropelando todo um processo natural que progride rumo ao cego e absoluto fascínio;
Quando o poder da intuição revela encardida a farda da segurança, que defende o abusador mas autoritário orgulho;
Quando a felicidade teima ser rasteirada, insistentemente, pelos caprichosos devaneios da circunstância;
Quando a caneta não acompanha a revolta ciclicamente aleatória de sentimentos que se emancipam na pesada subtileza do suspiro;
Quando o minucioso rigor se concentra exclusivamente no ponto e se abstrai do segmento, recta, plano ou espaço;
Quando o conforto da razão se abraça à silenciosa e incómoda modéstia...

É então, também, quando me esqueço da intensidade do verso, e quando escolho a crua e magoada prosa...
O Céu e a Terra vestiram-se de cinzento.

1 comentário:

carina disse...

muito obrigada mesmo *
até fiquei sem plavras , é muito bom saber tudo aquilo que disses-te :)
também te vou seguir , gostei do teu blog :b