Admito-me envergonhado e carente de disciplina...
De pontual, apenas tenho a obrigatoriedade da rotina,
Essa, que agora, é desrespeitadora e erradamente repetida...
Tranquilos atrasos traduzem-me tremendo traidor;
Intrínseca e intermitente ingénua inocência;
Destrutivo e demente desinteresse derivado da dor;
Camuflada culpa que, calma, incapacita a clemência...
Proclamam estranha a minha serena exposição ao conflito?
Confesso-me desencorajado e indigente perante o desequilíbrio...
De ameaçador, tenho somente o discurso de inofensivo ludíbrio,
Esse, que agora, é cobarde e silencia o inconformado grito.
Manifestam-se numa magnitude madura e moderante,
Vulneráveis virtudes vacilando vaidosamente vãos vícios;
Ferozes e efémeros, fingindo-me fútil figurante;
Sincero servo submetido aos sisudos sacrifícios...
Denunciam preocupante a minha usual oscilação de humor?
Reconheço-me esmorecido e necessitado de maior coerência...
De previsível, possuo omissa credibilidade e imaculada consciência,
Essa, que agora, é dúbia e tenebrosa cúmplice do rumor.
Fricciono forçosamente fictícia ferida que me desfruta;
Denso e deambulatório delírio de domínio desigual;
Áspera armadilha amarga aprisiona-me astuta;
Excêntrica e exuberante extravagância existencial...
Presumem alarmista o meu temperamento impulsivo?
Permito-me até penoso na desconfortável tolerância...
De impetuoso, guardo sem esconder, cicatrizes da circunstância,
Outras que outrora, incrustadas, desvendaram-me implosivo.
Suspiro sistémica e insistentemente saciando a serenidade;
Menosprezo múltiplas mutilações massivas sem manifesto;
Ridículo ritual de raiva e sua rude reciprocidade;
Poluída precipitação que prostitui a pureza do protesto...
Julgam-me demagogo ou misterioso erudito?
Sou uma moldura cuja tela permanece branca e vazia...
De relaxado, sereno, oscilante e impulsivo, tenho a poesia,
Essa que, desde sempre, banal, seduziu-me súbdito.
Flácida revolta que me abandona à mercê da sorte;
Robustos avisos que me despertam, denunciando o sucesso;
Têm razão, sou um irresponsável promotor da morte;
Apaixonei-me pelos amargos dissabores do saboroso excesso...
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