Silêncio rebelde e gritante,
Dá-se timidamente a conhecer,
De modo desconcentrado.
Insistente inércia intimidante,
Transforma o meu melhor dizer,
Num imperceptível dicionário pulverizado,
Dissipa-se desta feita a mensagem,
Perde-se seu teor e ferocidade,
Confunde-se na subjectividade,
E o meu dia, nasce vazio de coragem...
Sinto-me já quase desistente,
Não me surgem sequer dúvidas,
Balanceio princípios de modo deturpado,
Durante duradouro instante persistente,
Remando sobre convicções dissolvidas;
Permanecendo perante evidências, âncorado.
Neste meu cais, as emoções deixam-se marinar,
Envolvidas por gélidas lágrimas derramadas,
Que, pelas elevadas expectativas, coexistem saturadas;
Num sombrio porto de abrigo, que tende a secar.
Fui enganado pelo instinto...
Depositei confiança de olhos fechados;
Sem hesitações, ofereci-me sincero;
Tardei a sentir a queda neste labirinto...
Deparo-me de punhos atados,
Diante dos meus medos, e sem forças, espero;
Com o corpo flácido, quase entregue à rendição;
Não, por uma mão amiga estendida,
Mas que os músculos reajam à vontade destemida,
De rasgar entre polos, tamanha submissão.
Infelizmente, gosto de acreditar,
Que algures, bem dentro de alguém,
Existe um espaço, que me é destinado.
Será presunção da minha parte, ou tal crença é vulgar?
Interrogo-me vezes sem conta, porém;
Julgo-me conhecedor de tal lugar, embora indignado...
Na incerteza, consciencializo-me das nativas divergências;
Consigo sentir no peito, o suor da escaldante hospitalidade,
Bem como a fria neblina, que se ajusta aos meus contornos de humildade...
Contudo, viajo até esse meu esconderijo de intimidades, invejando suas valências.
Vou-me deixando ansiosamente envolver,
Num apertado nó de inconsequentes introspecções,
Visando o meu plano de vida mais secreto;
Concluí novamente agora, que não quero aqui adormecer...
Dedico em prática, ainda apático, num sentido prático, sem preocupações;
Numa nova filosofia relaxada, a total generosidade do meu afecto...
Esperançosamente, quase vislumbro a ausência dos esforços,
Que evitaram esta minha entrega, ao sedentarismo emocional.
Desejo então, que o plano da vida para mim, tenha o seu seguimento natural;
E assim sendo, o meu dia de amanhã, nascerá vazio de remorsos...
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