quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O meu silêncio

Para quando reservo eu, a coragem de falar?
Nem uma palavra, já sei sussurrar...
É pavorosamente revoltante,
Constatar habitual constante,
Que se evidencía desde o meu começo;
Comprometendo-me de forma desconcertante,
Revelando-se o meu medo mais sonante,
Clarificando-se à medida que me conheço.

Até onde, o meu silêncio irá fluir?
Eu bem quero gritar alto para que possas ouvir...
Herdei não só, este receio fóbico,
Mas também um novo mapa do percurso hierárquico;
Culminando este, no respeito mútuo;
Pelo qual me regi, singularmente, de modo antagónico,
Traíndo o que vigorava ser lógico,
Vitimando o diálogo de aprisionamento perpétuo.

Porque é que privei o mundo do meu final veredicto?
Nem o meu humilde desejo, é imune ao conflito...
Queria, sem dúvida, infinitamente prolongar,
O tempo que me fora concebido para te abraçar;
Porém, por defeito, no sequestro emocional fui orgulhoso,
E o nosso sofrimento, insuficiente para pagar,
O pesado resgate, capaz de evitar,
Que o meu carinho, por ti, guardasse saudoso.

Se pelo menos, amo-te, eu conseguisse soletrar...
Não me satisfaz, unicamente pensar!
Exijo vencer toda esta hesitação,
Conduzir os meus pensamentos à sua tradução,
Condensando-os em cada permissa minha,
Intensificando a efémera intenção,
De que jamais, darei eu permissão,
Que te julgues algum dia sozinha.

Quanto tempo mais, sobreviverei inerte, neste preconceito?
Já não me faz sentido, o complemento, o verbo ou o sujeito...
Estou cansado de ideias congestionadas,
Que na nascente, desaguam intimidadas;
Restando-me portanto, a esperança de escrever,
Batalhando densas frustrações arrojadas,
Contrariando as disléxicas frases descoordenadas...
Até quando ficará isto por dizer?

1 comentário:

César Martins João disse...

O teu, o meu, um qualquer silêncio é uma forte arma quando se trata de um diálogo. Manter o silêncio olhar alguém nos olhos e dar-se a entender não é fácil, mas não é impossível. Deixar o silêncio fluir e dar-se a ouvir numa troca de olhares e de sentimentos desencadeia toda uma panóplia de sentimentos mútuos, onde não interessa o tema, espaço ou tempo. Poderás expôr o teu veredicto final, sem receio do repudio nem de qualquer preconceito pois quem te olha nos olhos e te entende sem teres de recorrer ás palavras para te expressar é quem verdadeiramen-te te compreende e te pode de alguma maneira julgar!

"Nem o meu humilde desejo, é imune ao conflito..."

Nada nem ninguém é imune a juizos de valor ou conflitos enfrenta problemas e resoluciona-os... Poema simplesmente... remeto-me ao silêncio... :)